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Legado olímpico Rio/2016: Medalhista de Atlanta/96 solta o verbo

Jogos Olímpicos de Atlanta, Estados Unidos, 1996. O vôlei feminino brasileiro conquistava sua primeira medalha olímpica da história. E, na equipe que faturou o bronze, estava a atacante Ana Moser.

Ana Moser acendeu a pira olímpica em Blumenau (SC) em 2016. Foto: Ivo Lima/ME

Uma das maiores craques da modalidade, ela venceu três edições do Grand Prix pela seleção brasileira e faturou vários títulos nacionais e internacionais por clubes. Hoje, aos 48 anos, trabalha pelo desenvolvimento do esporte, através do Instituto Esporte & Educação.

De amanhã até quinta-feira, ela estará em Planalto Serrano, na Serra, com o projeto Caravana do Esporte. E um ano após o início dos Jogos do Rio/2016, ainda lamenta o legado, ou melhor, a falta de legado que a Olimpíada deixou no País: “Nenhum plano foi feito para ampliar a prática de esporte no País”, reclama a ex-craque.

A Tribuna — Ver equipamentos como Maracanã, Velódromo e Parque Olímpico sem utilização após os Jogos causa que tipo de sentimento?

Ana Moser — A Rio/2016 deixou um legado de reflexão do que não fazer, inclusive para o próprio Comitê Olímpico Internacional (COI). Foi o último evento nessa magnitude aqui. Sorte que o próximo será em Tóquio (2020) e o japonês não é bobo. Refletiu muito do que não dá para fazer mais, o custo disso é muito alto.

Como ex-atleta olímpica, se sente frustrada?

Lógico que a gente se frustra, né? Mas não dá para perder a esperança, nem deixar de buscar as maneiras de avançar. A gente vinha trabalhando antes, durante e depois da Olimpíada. É frustrante por perder uma grande chance, mas é um processo de amadurecimento.

Ana Moser (ao fundo) nos Jogos de Atlanta/96Foto: Ormuzd Alves/Folhapress

Perdemos a chance de transformar o esporte num instrumento de inclusão social?

Não teve nenhum planejamento de como usar as instalações que foram construídas, como manter a qualidade alcançada nesse ciclo nas modalidades, das equipes olímpicas das diferentes modalidades, e nenhum plano foi feito para ampliar a prática de esporte no País.

Falta uma definição de que tipo de política esportiva queremos para o País?

O esporte, tanto em ministério como em secretarias estaduais e municipais, são pastas pouco relevantes na gestão pública. Não tem pessoal, não tem orçamento.

E há discussão a respeito?

Na gestão Lula (2003-2010), foram feitas três conferências nacionais de esporte, fora todos os outros encontros e workshops com especialistas. Temos dois bons exemplos de fora. Na Inglaterra, antes da Olimpíada de Londres (2012), foi implantada uma política pública ampla em todo território, a partir das escolas. Você tem o Canadá, desde 2012, implantando uma política nacional, que é atividade física para a população inteira, pensando na saúde da nação.

A base tem que ser trabalhada nos clubes ou nas escolas?

Na verdade, tem que fazer valer. Só é obrigatória a Educação Física do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Do primeiro ao quinto ano não é obrigatório, mas tem a Educação Física na grade. Na prática, ela não acontece. Tem que fazer valer essas duas horas previstas no currículo, acontecendo na prática. Já seria um avanço.

Ana Moser em atividade do projeto Caravana do Esporte, apoiado pelo Instituto Esporte & Educação, que criou em 2001. Foto: Celia Santos/Divulgação

Como isso dificulta o processo de massificação do esporte no País?

Muitos potenciais são perdidos por nunca terem oportunidade de prática contínua. A escola é o primeiro lugar, pois é onde há oportunidade de fazer uma formação esportiva para todas elas. Difícil é inserir toda a escola em uma rotina ativa com os benefícios disso. Só se beneficia quem pratica. Assistir esporte na televisão é divertido, mas não pode ser só isso.

Reportagem de Acácio Rodrigues

FUENTE:

http://www.tribunaonline.com.br/legado-olimpico-rio2016-medalhista-de-atlanta96-solta-o-verbo/