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Tribuna Livre: Protagonismo estudantil

por: Terezinha Cravo

“O funk faz parte da cultura musical de boa parte dos alunos das classes populares”

Na data de 12/08/17, sábado, em que a escola comemorava o Dia do Estudante com 300 alunos envolvidos em atividades de jogos interclasse e diversas oficinas para crianças menores, os profissionais, os alunos e a maioria dos familiares foram surprendidos pela chamada do jornal A Tribuna, cujo título era “Revolta contra funk sensual em escolas”.
Como profissional da rede municipal de ensino de Vitória e, neste momento, respondendo pela direção, sinto-me na obrigação de aprofundar esse debate para dentro e fora da escola.
Como pedagoga, atuando em diferentes tempos históricos, na Emef Marechal Mascarenhas de Moraes, sempre lutei e ajudei a construir projetos político-pedagógicos capazes de envolver toda a comunidade escolar, de forma que o protagonismo dos profissionais, dos alunos e da família estivessem presentes no cotidiano escolar.
Mesmo vivendo numa sociedade de tradição autoritária, patrimonialista e discriminatória, a opção do Projeto da Escola é clara.
Defendemos para nossos alunos uma escola de qualidade, democrática e laica, capaz de estabelecer o diálogo e a reflexão crítica dos nossos saberes e fazeres cotidianos, com o cuidado de na convivência com as diferenças sermos respeitosos, mas firmes no caminho que coletivamente decidimos.
Portanto, respeitamos as mães que fazem a opção de ir ao jornal manchar a imagem de uma escola, destacando um episódio único, do qual já estamos conversando com familiares e alunos há duas semanas, com ações internas para a sua superação, sempre na lógica do diálogo.
Não defendemos o caminho, que alguns possam desejar, de demonizar o funk e dizer que esse estilo musical não pode ser ouvido. Ora, como educadores defensores da democracia e do protagonismo juvenil temos necessariamente que repensar a forma como trabalhamos com os nossos adolescentes em cada tempo histórico. O funk faz parte da cultura musical de boa parte dos alunos das classes populares que estudam nas escolas públicas e até mesmo nas particulares. Portanto, está presente na sociedade e nas escolas.
Como se antecipou a subsecretaria de Educação de Vitória na referida matéria, Rádio Escola é um projeto importante de protagonismo dos estudantes e faz parte do Plano de Ação da Escola. Apesar das orientações feitas pela profissional envolvida, a burla, em se tratando de adolescentes, pode ocorrer e eles recebem as sansões/orientações para que não mais ocorra.
Isso para nós educadores chama-se processo educativo, aprender com os próprios erros. Por isso, lamentamos quando pais partem para o jornal e redes sociais, antes de dialogar e aguardar as ações da escola.

Não tenho dúvida de que faremos desse limão uma limonada, na perspectiva do fortalecimento da instituição Emef “MMM”, escola que mesmo diante de desafios, se esforça na realização de um trabalho comprometido com a formação cidadã.
Esse testemunho é comprovado quando temos vários ex-alunos formados em diversas profissões de nível médio e ou superior que retornam com seus filhos para que nela estudem, mesmo sabendo que nela existem os alunos menos assistidos pelas famílias, que nos exigem muito mais. Isso é escola pública, nela a diversidade social e cultural pulsam.

Terezinha Baldassini Cravo é  mestra em Educação e pedagoga

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para opiniao@redetribuna.com.br.

FUENTE:

https://www.tribunaonline.com.br/tribuna-livre-protagonismo-estudantil/