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Rubens Ewald filho lembra o grande Jerry Lewis

(*) Rubens Ewald Filho. Foto:Arquivo/AT

“Quem viu as comédias de Jerry Lewis nos cinemas dos anos 1950 a 1970, e depois na televisão, nunca se esqueceu dele.”

Sempre  compartilhei com os críticos franceses a opinião de que Jerry é um dos grandes humoristas do cinema. E ponto final! Quem não concordar pode ir andando porque não é da minha turma!

Jerry Lewis, um dos grandes humoristas do cinema

Ao contrário dos americanos que continuaram a desprezá-lo. Mesmo a Academia do Oscar lhe conferiu um prêmio Especial em 2009 não pela carreira mas por  suas obras de caridade! Uma escolha presunçosa e burra. Foi um premio de consolação, mas mesmo assim Jerry aceitou. Era melhor do que nada.

Na verdade, duas de minhas maiores emoções foi assisti-lo por duas vezes ao vivo. Primeiro, num

a rara aparição no palco da Broadway, fazendo o papel do diabo (imaginem só!) no musical Damn Yankees, onde cantava, dançava e fazia maldades só para relembrar o velho Jerry).

Jerry Lewis em o “Professor Aloprado”

Estava em plena forma, e eu e toda a platéia nos emocionávamos. Acho que até chorei. Afinal estava ali nosso companheiro de infância.

Depois o encontrei  numa longa e delirante entrevista coletiva no Festival de Veneza em que apareceu de bermudas fazendo todas as gracinhas a que tinha direito (chegaram a me fotografar rindo, de puro prazer ).

Era como o show de um clown que fez delirar a platéia, como se fosse um amador que entrou por engano na sala. Sem pudor, levantava nas horas erradas, falava mal dos inimigos (mas nunca nada contra de Dean Martin, seu ex-parceiro de quem nunca se esqueceu e que só ficou feliz quando fizeram as pazes pouco antes da morte de Martin).

Mas, sem duvida, a obra-prima de Jerry como diretor é “O Professor Aloprado”, o mais equilibrado de seus trabalhos (e porque foi refilmado com Eddie Murphy, restabeleceu suas finanças para o resto da vida).

Jerry sempre foi amado pelo publico e fez uma fortuna para o estúdio que o contratou: a Paramount. Entre 1949 e 65 foi ouro puro para eles. E  sua influencia se sente em cômicos como Adam Sandler, Jim Carrey, Roberto Benignini e Billy Crystal. E olhem alguns fatos notáveis:

  1. Durante os 16 anos que Jerry esteve na Paramount, estrelou 35 filmes. Quando se separou de Dean Martin, foi contratado por dez milhões de dólares pelos 7 anos seguintes. O maior preço já pago para um ator até então. B) O modelo para a carreira de Jerry foi Charles Chaplin. Ele também quis ser o autor total de seus filmes, tendo sido o primeiro comediante americano a dirigir a si próprio no cinema sonoro, chegando ao cúmulo de financiar o projeto The Bellboy/O Mensageiro Trapalhão com seu próprio dinheiro. Também, professor de cinema, foi o criador do chamado Video Assist, que todos usam hoje em dia. É aquele vídeo onde o diretor pode ver o que foi filmado!

  2. Com freqüência, fez em seus filmes papéis múltiplos, talvez porque na vida era um chamado “control freak”, gostava de controlar tudo e todos.

  3. Era um autodidata e aprendeu tudo sozinho sobre lente, luzes e câmeras. E também controlava tudo sobre a renda de suas obras.

  4. todos os seus filmes para a Paramount foram sucesso e renderam mais de 3 milhões de dólares (sem correção da inflação). Mais do que Elvis Presley. O “Marujo foi na Onda”, de 51, por exemplo, rendeu mais do que outros filmes do mesmo ano como “Cantando na Chuva” e “Uma Aventura na África”. Diante disso, a Paramount não hesitou em permitir que ele derrubasse as paredes de dois estúdios para poder construir o set de “O Terror das Mulheres”.

  5. Enquanto os filmes de Jerry com Dean, eram em geral reciclagem de antigos sucessos do estúdio, os filmes dele sozinho eram ousados e até experimentais.

  6. O mestre de Jerry no aprendizado como diretor foi o diretor Frank Tashlin com quem trabalhou várias vezes e de quem tirou o gosto pelo surreal (entre eles “Errado pra Cachorro”, “Ou vai ou racha”, “O Rei dos Mágicos” e “Bancando a Ama Seca”).

Insistindo de novo: Não é difícil explicar o sucesso de Jerry Lewis. Basta não filosofar muito. O fato é que ele é simplesmente muito engraçado. Sempre foi e  continuou  sendo. Embora tenha gente que a principio se assuste com o personagem que ele fez, um tipo meio bobo, desengonçado, parecendo mesmo um deficiente.

Por isso mesmo ele dedicou a vida inteira a ajudar os que sofrem de paralisia cerebral, sentindo-se culpado. Mas não esqueçam que era tipo, papel, personagem. Conforme demonstrou mais tarde em outros filmes podia ser também um convincente ator dramático.

Início

Jerry nasceu Joseph Levitch, em New Jersey, em 1926, filho de comediantes que se apresentavam em festas da colônia judaica. Conheceu Dean em 1946, quando se apresentava em Atlantic City, e resolveram formar uma dupla: Dean cantando e Jerry fazendo palhaçadas.

O produtor Hal Wallis os viu numa casa noturna de Hollywood e resolveu contratá-los e lançá-los no cinema. Mesmo assim durante os seis anos que trabalharam no cinema nunca foram grandes amigos. Eram até rivais e nos últimos filmes nem sequer trocavam mais palavras.

Jerry Lewis e Dean Martin

Era tudo fingimento para a camera. Jerry chegou ate a escrever um livro onde retrata a satisfação deles terem feito as pazes antes de Dean morrer (no dia de Natal em 1995, aos 78 anos, debilitado pelo alcoolismo). Jerry deixa  como legado suas comédias e alguns momentos inesquecíveis da difícil arte de fazer rir.

Continuamos seu admirador, sempre.  Como sucedeu com  Leandro Hassum e o diretor Roberto Santucci, que o chamaram para uma participação especial na comédia brasileira “Até que a Sorte nos Separe 2”. Não foi grande coisa, mas meu Deus! Mr. Lewis fez sua despedida num filme brasileiro!!! Só isso já o torna clássico.

(*)Rubens escreve às quintas-feiras no caderno AT2.

FUENTE:

https://www.tribunaonline.com.br/rubens-ewald-filho-lembra-o-grande-jerry-lewis/