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Tribuna Livre: Um meme vale mais que mil notícias?

por: Natalie Marino

“Se algo vira meme, isso vira imediatamente notícia”

 

A tecnologia provoca rupturas e emerge um novo paradigma comunicacional: estar permanentemente conectados. Todos os cidadãos se tornaram proativos e produtores de notícias, editores de informações compartilhadas nas mídias sociais que viralizam sem precedentes.
Se antes o jargão “uma imagem vale mais que mil palavras”, hoje um vídeo instantâneo viraliza e vale mais que campanha publicitária. Se vira meme, vira imediatamente notícia. Em contrapartida, como receptores desses novos conteúdos, está cada vez mais difícil, enquanto coletividade, refletir objetivamente, pois essas publicações estão carregadas de componentes emocionais e de crenças pessoais.
Em tempos de pós-verdade, termo usado para referir-se “às circunstâncias na qual os fatos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública que aquelas que apelam para a emoção e à crença pessoal” (conceito que o Dicionário Oxford consagrou como a palavra do ano de 2016), não há critério nem tampouco um filtro para separar o joio do trigo para o conteúdo que é publicado na web, ao contrário do que faz a imprensa tradicional, baseada em fontes fidedignas, em ouvir diferentes vozes e em verificar objetivamente os dados.
Nesse contexto, surge desafio diante da ausência de uma ferramenta para filtrar o conteúdo da web e evitar a proliferação das “fake news”. Para o jornalismo, há a missão de enfraquecer os construtores de meias verdades/textos duvidosos, pois a medida que esse tipo de conteúdo ganha relevância e preponderância é a democracia a maior derrotada.
O comportamento do presidente americano Donald Trump ilustra esse contexto. Governa com discurso duvidoso, armas devastadoras para desmoralizar a imprensa e usa em demasiado o twitter para fazer comunicados e emitir opiniões. É inegável que Trump contribui para enfraquecer a imprensa, instituição fragilizada num cenário excessivo de “produtores de notícias”.
Em “O Tempo das Tribos”, o sociólogo Michel Maffesoli afirmou que o indivíduo precisa se identificar num grupo para ser reconhecido na sociedade pós-moderna e definiu essa identidade da seguinte maneira: “Há momentos em que o indivíduo significa menos do que a comunidade na qual ele se inscreve. Da mesma forma, importa menos a grande história factual do que as histórias vividas no dia a dia, as situações imperceptíveis que, justamente, constituem a trama comunitária”.
Ao que me parece as mídias sociais proporcionam e conectam pessoas com as mesmas opiniões fazendo com que os indivíduos se reconheçam nesses grupos, onde expõem seus sentimentos e frustrações. Neste cenário, ocorrem discussões repletas de irreverência sem favorecer o debate e o respeito. Assim, os grupos se dividem e a audiência se fragmenta cada vez mais.
As instituições que estão com sua credibilidade sendo testadas pelo poder das mídias sociais precisam estimular novos espaços de debate, de proximidade com seu público usando as múltiplas ferramentas dessas mídias, mas jamais permitir que estas mídias substituam-nas.
Nos EUA, 51% dos usuários de internet recorrem ao Facebook para se manterem informados, mas 18% deles admitem que as informações são confiáveis. No Brasil, os usuários do Facebook raramente têm o hábito de ler um texto por inteiro. Mais raro ainda é a atitude de se verificar ou de se questionar a fonte. O imperativo é clicar e compartilhar manchetes de textos desencontrados. Até quando?

Natalie Marino é  jornalista e advogada

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para opiniao@redetribuna.com.br.

FUENTE:

https://www.tribunaonline.com.br/tribuna-livre-um-meme-vale-mais-que-mil-noticias/