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Tribuna Livre: Os sensíveis pilares da Segurança Pública

por: Coronel Alexandre Ofranti Ramalho

“Também é essencial avaliar quem efetivamente deve entrar para os presídio”

A criminalidade urbana é um fator social que nunca será totalmente dizimado. É preciso trabalhar com planejamento e foco nas ações preventivas e repressivas de segurança pública com o propósito de alcançar patamares aceitáveis de convivência.
A sociedade precisa entender que diversas questões impactam na melhor prestação de serviço da sua Polícia Militar. Busca-se a redução dos números de homicídios, que no Brasil 80% são cometidos com arma de fogo, mas a legislação, totalmente abrandada, permite que o indivíduo, preso de forma ilegal com um fuzil, pague uma fiança e responda em liberdade.
Há um clamor social para a erradicação do furto e roubo nas comunidades, mas sendo materiais de menor importância como celular e pequena quantidade de dinheiro, o criminoso imediatamente ganha a liberdade.
Os constantes assaltos a coletivos na Região Metropolitana, que traumatizam os passageiros, são combatidos pela Polícia Militar com as 2.056 abordagens realizadas somente no mês de agosto. Entretanto, ao flagrar a pessoa com arma de fogo ou réplica da mesma, o infrator também será posto em liberdade.
As operações diárias realizadas para combater o tráfico de entorpecentes encontram dificuldades de interpretação entre tráfico e consumo. Sendo assim, o cidadão flagrado com dez pedras de crack, ao ser conduzido para a Delegacia, pela enésima vez, novamente será liberado.
Os problemas sociais causados por dependentes químicos, agrupados aos moradores de rua, perambulando ou ocupando determinados espaços públicos nos bairros, causam nos contribuintes a sensação de ausência de uma ação efetiva da Polícia Militar. Desconhecem que essas pessoas não são mais alcançadas pela legislação penal.
Importante registrar que a liberdade é uma premissa essencial e de fato deve ser perseguida a todo custo, afinal o ser humano precisa conviver em sociedade para aperfeiçoar suas condutas e definitivamente aprender a respeitar regras.
Também é essencial avaliar quem efetivamente deve entrar para os presídios e essa outorga de forma legal foi concedida ao Poder Judiciário, por intermédio das Audiências de Custódia. Ressalta-se, entretanto, que a porta de entrada das Delegacias ou dos Fóruns, em hipótese alguma poderá ser a mesma para a saída. Ou seja, avaliado que determinado criminoso será colocado em liberdade, obrigatoriamente ele deve ser alcançado por programas sociais que o direcionem para o mercado de trabalho, cursos profissionalizantes, matrícula em escolas e tantas outras oportunidades, que lhe permita enxergar diferentes possibilidades, totalmente diversa do mundo dos crimes. Só assim será quebrado o terrível ciclo vicioso do prende e solta.
A Polícia Militar prima pela parceria com a comunidade e se coloca à inteira disposição para responder aos mais diversos questionamentos, quanto ao emprego dos seus recursos, mas é preciso que as comunidades, tão bem representadas por seus moradores, entendam que todas essas questões precisam ser inseridas numa discussão interdisciplinar, inclusive com agenda permanente no Congresso Nacional.
Urgentemente precisa-se retirar dos ombros dos nossos Policiais Militares a eterna cobrança por solução da criminalidade, que assusta e oprime a sociedade brasileira.
Segurança Pública se constrói com educação, base familiar, erradicação da pobreza, combate à corrupção, emprego e legislação atualizada.

Coronel Alexandre Ofranti Ramalho é comandante do Comando de Polícia Ostensiva Metropolitano (CPOM)

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para opiniao@redetribuna.com.br.

 

 

 

FUENTE:

https://www.tribunaonline.com.br/tribuna-livre-os-sensiveis-pilares-da-seguranca-publica/